Engraçado as pessoas "denunciando" vídeos em que Collor fala mal de Sarney e hoje fala bem. Isso é POLÍTICA, Alôu???? É assim desde sempre!
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A chegada de Michael Jackson no céu
A tradição da literatura de cordel é particularmente sensível aos momentos de comoção. Quando algum acontecimento, nacional ou internacional, mobiliza as massas, certamente um cordelista estará traduzindo em versos o ocorrido.
- O cordel tem também uma função jornalística. Há muito tempo, é um meio que o povo do sertão usa para se interar dos grandes acontecimentos. Foi assim com Lampião, Getúlio Vargas, Tancredo Neves e até com Leandro, cantor daquela dupla sertaneja - conta o cordelista alagoano João Gomes de Sá.
Pois foi o próprio João Gomes de Sá que, ao lado do companheiro Klévisson Viana, escreveu sobre a morte de Michael Jackson, um dos acontecimentos mais acompanhados, discutidos e lamentados da história recente.
Juntos, publicaram A Chegada de Michael Jackson no Portão Celestial. Apenas no primeiro dia após o seu lançamento, a obra teve 2500 folhetos vendidos nos pontos de ônibus de Fortaleza - local comum de venda de cordéis na capital cearense.
Eu sonhei que o rei do pop,Logo após bater as botas,Foi direto para o céu,Fazendo muitas marmotas,Cantando muito agitadoFeliz, tinha se livradoDe dívida, banco e agiotas.
- O que eu fiz foi uma releitura desse grande fato mundial. Apenas reproduzi algumas manifestações do sentimento do povo. Com alguns gracejos da minha parte - brinca o João Gomes de Sá.
Por “gracejos”, o poeta se refere a críticas - algumas sutis, outras nem tanto - a vários setores da sociedade brasileira. Uma delas é a existência de uma burocracia no Céu, que impediria a “admissão” rápida do cantor.
- É o que a gente vê hoje no país. No Brasil, a gente morre é na fila. Em todo canto tem essa burocracia. Daí fiz uma brincadeira com ele do tipo: “Como você já morreu mesmo, né, cara, não tem problema esperar mais um pouquinho” - explica.
As críticas também não deixam a crise do senado passar em branco. Pedindo atendimento privilegiado, Jackson pergunta a São Pedro se não haveria nenhum ato secreto em seu benefício.
Mas São Pedro eu sou um astroFamoso no mundo inteiro!Não tem um ato secretoPara me atender primeiro?- Aqui é outro processoNão é aquele CongressoLá do povo brasileiro!
Para a surpresa deste Blog, o autor do cordel conta que não era fã de Michael Jackson.
- As minhas filhas chegaram a chorar com a morte dele. Mas eu nunca tive nenhuma relação com ele, apesar de reconhecer que era um grande astro e admirar algumas coisas que fez, com a canção “We Are The World”. Quando fiz o cordel, fui solidário com as pessoas que sofriam por ele - explica.
João Gomes de Sá não era fã de Michale Jackson, mas suas filhas sim
O poeta chegou a ser bastante criticado pela publicação do cordel. Outros poetas populares reclamaram da atenção dada a um astro internacional, quando ídolos como Luiz Gonzaga não tiveram o mesmo tratamento.
- Talvez seja mesmo um pouco de xenofobia. Mas o que eu não agüento é ouvir isso de poetas que sabem que a literatura de cordel trabalha com grandes acontecimentos - reage.
Eu queria dançar maisSabe o senhor, não empaco,Gostava de requebrar,Pois eu sou bom nesse tacoDançando eu faço munganga,Às vezes visto uma tangaPara prender o meu saco!Sincronia
A parceria de João Gomes de Sá e Klévisson Viana não foi programada nem combinada. Foi mais um daqueles acasos que só acontecem poucas vezes na vida.
Inspirado pelos noticiários e pela charge de um amigo, Gomes de Sá começou a fazer um cordel. Quando já tinha produzido boa parte da obra, ligou para Viana e descobriu que o colega poeta estava fazendo a mesmíssima coisa. Resolveram então publicar um cordel só, tamanha a sincronia.
As estrofes destacadas acima pertencem ao cordel “A Chegada de Michael Jackson no Portão Celestial”.
A tradição da literatura de cordel é particularmente sensível aos momentos de comoção. Quando algum acontecimento, nacional ou internacional, mobiliza as massas, certamente um cordelista estará traduzindo em versos o ocorrido.- O cordel tem também uma função jornalística. Há muito tempo, é um meio que o povo do sertão usa para se interar dos grandes acontecimentos. Foi assim com Lampião, Getúlio Vargas, Tancredo Neves e até com Leandro, cantor daquela dupla sertaneja - conta o cordelista alagoano João Gomes de Sá.
Pois foi o próprio João Gomes de Sá que, ao lado do companheiro Klévisson Viana, escreveu sobre a morte de Michael Jackson, um dos acontecimentos mais acompanhados, discutidos e lamentados da história recente.
Juntos, publicaram A Chegada de Michael Jackson no Portão Celestial. Apenas no primeiro dia após o seu lançamento, a obra teve 2500 folhetos vendidos nos pontos de ônibus de Fortaleza - local comum de venda de cordéis na capital cearense.
Eu sonhei que o rei do pop,Logo após bater as botas,Foi direto para o céu,Fazendo muitas marmotas,Cantando muito agitadoFeliz, tinha se livradoDe dívida, banco e agiotas.
- O que eu fiz foi uma releitura desse grande fato mundial. Apenas reproduzi algumas manifestações do sentimento do povo. Com alguns gracejos da minha parte - brinca o João Gomes de Sá.
Por “gracejos”, o poeta se refere a críticas - algumas sutis, outras nem tanto - a vários setores da sociedade brasileira. Uma delas é a existência de uma burocracia no Céu, que impediria a “admissão” rápida do cantor.
- É o que a gente vê hoje no país. No Brasil, a gente morre é na fila. Em todo canto tem essa burocracia. Daí fiz uma brincadeira com ele do tipo: “Como você já morreu mesmo, né, cara, não tem problema esperar mais um pouquinho” - explica.
As críticas também não deixam a crise do senado passar em branco. Pedindo atendimento privilegiado, Jackson pergunta a São Pedro se não haveria nenhum ato secreto em seu benefício.
Mas São Pedro eu sou um astroFamoso no mundo inteiro!Não tem um ato secretoPara me atender primeiro?- Aqui é outro processoNão é aquele CongressoLá do povo brasileiro!
Para a surpresa deste Blog, o autor do cordel conta que não era fã de Michael Jackson.
- As minhas filhas chegaram a chorar com a morte dele. Mas eu nunca tive nenhuma relação com ele, apesar de reconhecer que era um grande astro e admirar algumas coisas que fez, com a canção “We Are The World”. Quando fiz o cordel, fui solidário com as pessoas que sofriam por ele - explica.
João Gomes de Sá não era fã de Michale Jackson, mas suas filhas sim
O poeta chegou a ser bastante criticado pela publicação do cordel. Outros poetas populares reclamaram da atenção dada a um astro internacional, quando ídolos como Luiz Gonzaga não tiveram o mesmo tratamento.
- Talvez seja mesmo um pouco de xenofobia. Mas o que eu não agüento é ouvir isso de poetas que sabem que a literatura de cordel trabalha com grandes acontecimentos - reage.
Eu queria dançar maisSabe o senhor, não empaco,Gostava de requebrar,Pois eu sou bom nesse tacoDançando eu faço munganga,Às vezes visto uma tangaPara prender o meu saco!Sincronia
A parceria de João Gomes de Sá e Klévisson Viana não foi programada nem combinada. Foi mais um daqueles acasos que só acontecem poucas vezes na vida.
Inspirado pelos noticiários e pela charge de um amigo, Gomes de Sá começou a fazer um cordel. Quando já tinha produzido boa parte da obra, ligou para Viana e descobriu que o colega poeta estava fazendo a mesmíssima coisa. Resolveram então publicar um cordel só, tamanha a sincronia.
As estrofes destacadas acima pertencem ao cordel “A Chegada de Michael Jackson no Portão Celestial”.


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