Garota é uma lição para Ivete Sangalo
(Gilberto Dimenstein )
Giulia Olsson tem 14 anos e estuda no ensino médio na Flórida. Nos últimos meses, ela vendeu limonada na rua, lavou carros, disparou e-mail por várias partes do mundo para arrecadar dinheiro destinado à orquestra sinfônica de Heliópolis, a maior favela de São Paulo. Conseguiu levantar R$ 30 mil.
Giulia está, nesse momento, ensinando violino para as crianças da sinfônica e vai se apresentar na Sala São Paulo --a história detalhada está no www.catracalivre.com.br.
É uma lição para celebridades como Ivete Sangalo e Caetano Veloso, entre outras celebridades brasileiras, que vêm conseguindo dinheiro público para seus shows. Uma das justificativas dadas pelo Ministério da Cultura para aprovar a concessão do benefício à turnê de Caetano Veloso (um benefício totalmente dentro da lei, diga-se), é que Ivete Sangalo, montada nos seus milhões de reais, com plateias cheias, também ganhou --assim como Maria Bethânia.
Todas essas celebridades fariam melhor a elas mesmas e ao país se, como Giulia, pelo menos compartilhassem suas experiências com estudantes.
Enquanto uma menina de classe média se empenha em ajudar uma comunidade, transformando dinheiro privado em ação pública, a Lei Rouanet tem permitido o contrário --dinheiro público voltado a interesses privados.
Giulia Olsson tem 14 anos e estuda no ensino médio na Flórida. Nos últimos meses, ela vendeu limonada na rua, lavou carros, disparou e-mail por várias partes do mundo para arrecadar dinheiro destinado à orquestra sinfônica de Heliópolis, a maior favela de São Paulo. Conseguiu levantar R$ 30 mil.
Giulia está, nesse momento, ensinando violino para as crianças da sinfônica e vai se apresentar na Sala São Paulo --a história detalhada está no www.catracalivre.com.br.
É uma lição para celebridades como Ivete Sangalo e Caetano Veloso, entre outras celebridades brasileiras, que vêm conseguindo dinheiro público para seus shows. Uma das justificativas dadas pelo Ministério da Cultura para aprovar a concessão do benefício à turnê de Caetano Veloso (um benefício totalmente dentro da lei, diga-se), é que Ivete Sangalo, montada nos seus milhões de reais, com plateias cheias, também ganhou --assim como Maria Bethânia.
Todas essas celebridades fariam melhor a elas mesmas e ao país se, como Giulia, pelo menos compartilhassem suas experiências com estudantes.
Enquanto uma menina de classe média se empenha em ajudar uma comunidade, transformando dinheiro privado em ação pública, a Lei Rouanet tem permitido o contrário --dinheiro público voltado a interesses privados.
Fonte: Folha de São Paulo
Só para enteder:
A chamada “Lei Rouanet”, na verdade, é um dos mecanismos de implementação do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), instituído pela Lei nº 8.313, de 1991, concebida pelo então ministro da Cultura do governo Fernando Collor, Sérgio Paulo Rouanet. Pelo mecanismo, o Estado brasileiro abre mão de parte da arrecadação do imposto de renda de pessoas físicas e jurídicas, sendo que essa quantia – o incentivo fiscal – deva ser direcionada ao financiamento de projetos culturais. O valor deduzido pelas empresas não pode exceder 4% do total do imposto; já para as pessoas físicas, esse valor é de 6%. O Pronac também institui outros dois mecanismos, os de Investimento Cultural e Artístico (Ficart) que, de acordo com o próprio MinC, nunca saiu do papel, e o Fundo Nacional de Cultura (FNC), que consiste em recursos da administração direta, geridos pelo MinC. As autorizações para a execução dos projetos passam pelo crivo do Ministério da Cultura, que, por meio da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), aprova ou rejeita a isenção fiscal.
Ou seja, os eventos financiados pela Lei Rouanet, faz com que o cidadão pague, e na maioria das vezes pague caro, por shows que foram financiados com o imposto pago pelo próprio cidadão. A exemplo de shows como Gal Costa, Maria Bethania, Caetano Veloso, Cirque Du Soleil, dentre vários outros artistas não sómente os baianos claro e também de filmes patrocinados pela lei que praticamente nem 1% da população brasileira nunca assistiu nem assistirá a exemplo do filme Nina, que sinceramente, de projeto cultural não tem nada.








